sábado, 3 de março de 2018

Não há amor


Não há amor
Se houvesse amor
Não estava aqui só
Sentado nesta praia de brumas
Batida pelo mar e pelo vento norte
O tanto amor que te tenho
Tinha-te curado da morte
E estavas aqui pequena
Enrolada nos meus braços
Aninhada ao sol
A perder o olhar pelo infinito azul
Ou tinhas-me levado contigo
E o profundo nada faríamos tudo

Houvera amor
Não estaria agora a recriminar-te
Por culpas que não tens
Por me deixares remoer a dor da ausência
Morreste-me
Queria morrer contigo
Houvesse amor
O amor salvava
Não há amor.
jaime crespo

sábado, 21 de outubro de 2017

o exercício físico

vejo com agrado homens e mulheres, muito bem equipados, a correr para cima e para baixo.
fazem muito bem, estão a exercitar os músculos.
e os médicos até aconselham a fazê-lo, parece que é saudável.
temo que com todo este exercício se esqueçam de exercitar o mais importante e mais necessitado de exercício, de todos os nossos músculos, o cérebro.

Pintura: melancolia (desconheço o autor/a), retirada do site: http://showdomedo.blogspot.pt/2014/05/20-pinturas-feitas-por-pessoas-com.html


o homem novo

  1. não quero um Homem novo e mais evoluído. anseio pelo aparecimento de um Ser totalmente novo e civilizado que extermine a humanidade. não a mesma coisa, mas uma coisa diferente.
  2. jaime crespo
  3. Pintura: Le fils de l'homme de René Magritte

domingo, 25 de junho de 2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017


Ó DEMO, VAI-TE EMBORA! T’ARRENEGO SATANÁS!
Vivemos num país espetacular, vejam os dias bonitos que têm estado de há mais de uma semana, mas no qual acontecem coisas extraordinárias e mesmo estranhas, de tal sorte que não compreendo porque faliu o “jornal do incrível”, é que quando julgamos que já vimos tudo, alguém trata de arranjar algo que nos deixa mais surpreendidos que antes.
Às terras da Beira Alta e Trás os Montes, chamava Aquilino Ribeiro “as terras do demo”, mas quem sabe hoje quem foi Aquilino Ribeiro?
Somos governados por uma “geringonça” que bem podia ser “a passarola”, de Frei Bartolomeu de Gusmão, mas também quem sabe atualmente quem foi Bartolomeu de Gusmão ou se interessa pelo que fez este azarado padre?
Do outro lado, o líder da oposição anuncia a iminente chegada do demo, como se o que todos nós precisássemos era de nos infernizarem ainda mais a vida…

Por estas menos que por outras, o primeiro texto redigido numa língua à qual já se pode chamar português, foi precisamente “notícias do torto”, “torto” era como se chamava naquele tempo ao Direito que provavelmente já andava tão torto como agora.
Vida, cada um sabe da sua e deus de todos, reza um rifão popular, ou na variante, cada um por si, deus por todos. Nunca gostei nem de uma nem de outra variante, sempre me considerei pessoa solidária, mas também já precisei da solidariedade alheia e isto sem termos que enfiar o nariz na vida alheia.
Este ano, 2016, está a poucas horas de terminar. 2017 já está à porta. Não costumo dar demasiada importância a estas festividades, mas retenho no ADN as possibilidades de renovação, de mudança, de reforçar a esperança, ou a fé de quem a tem.
Como sabem aqueles que de há mais tempo aqui me acompanham, 2016 foi para mim como uma besta negra, uma carga de desgraças, tendo a pior sido a grave doença de que padeci (esgotamento cerebral, para evitar especulações). Mas as doenças se não são fatais, com drogas, curam-se ou pelo menos melhoram, que é o caso.
Relembrou-me um colega e excelente amigo que um dia na escola, uma colega chamava-me a atenção para um erro ortográfico que eu havia praticado em sede de ata da reunião. Terei respondido “não faz mal, estes corrigem-se, os de caráter é que não”.
Adeus 2016, ó vai-te embora. Deste ano fico com as tristezas e as mágoas. Se as primeiras são conversíveis em alegrias, logo se vê, mas das segundas, indeléveis, permanecem as marcas.
Um excelente ano de 2017 a tod@s!
Adeus 2016, ó vai-te embora. Deste ano fico com as tristezas e as mágoas. Se as primeiras são convertíveis em alegrias, logo se vê, mas das segundas, indeléveis, permanecem as marcas.